O laudo da Polícia Federal constatou que não houve atividade de garimpo ilegal nas obras interditadas na Escadaria do Beco Alto, localizado no Centro Histórico de Cuiabá.
Na época da interdição, o advogado Cláudio Campos Araújo, de 49 anos, que seria o dono dos terrenos em que ocorreram as escavações, negou a prática e alegou estar construindo um muro de contenção.
O laudo constatou que as “as escavações na área externa das edificações […] atingiram apenas o aterro dos terrenos dos imóveis questionados, não chegando nas rochas do Grupo Cuiabá, unidade hospedeira da mineralização aurifera”.
De acordo com o documento, há somente indícios de construção de um muro de contenção.
“Foi constado que nos terrenos […] havia sinais de escavação na área externa relacionadas às reformas e benfeitorias, tais como construção de muro de arrimo, galerias de águas pluviais e sistemas sanitários”.
O documento foi assinado pelo perito criminal federal Wilson Hideo Yamamoto, que realizou a vistoria com o colega Thiago Rosa Sampaio, no dia 19 de outubro.
As investigações foram acompanhadas pela superintender substituta do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Amélia Hirata.
As edificações estão localizadas na Rua Engenheiro Ricardo Franco, ao longo da Escadaria do Beco Alto. Os peritos constataram ao chegar ao local que as propriedades “se encontravam em ampla reforma, apresentando diversas rachaduras em suas paredes”.
As análises contaram também com comparação dos mapas do local em diferentes anos, para apontar desde quanto as atividades eram realizadas.
Claudio foi alvo de uma operação da PF no dia 4 de novembro, quando um mandado de busca e apreensão foi cumprido.
Na casa dele a Polícia apreendeu R$ 26 mil e US$ 2,8 mil em espécie.
As investigações tiveram início após a Prefeitura de Cuiabá embargar a obra, em 14 de outubro deste ano, em razão de suspeita da prática de garimpagem ilegal.
Na época, o secretário municipal de Ordem Pública, Leovaldo Emanoel Sales da Silva, disse que não havia nenhum alvará que sustentasse a “obra” no local, ou acompanhamento de um responsável técnico.
Foi apurado que um funcionário do Iphan foi até à Prefeitura em agosto para denunciar o caso.
