Governador do MT vê viés eleitoreiro na criação da escala 5×2: “Ninguém quis se expor”

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), criticou os deputados federais do estado que votaram favoravelmente à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, além da adoção de dois dias de descanso por semana. Para o governador, a mudança de posicionamento de parte da bancada federal teve motivação eleitoral.
Durante entrevista à imprensa, Pivetta afirmou que muitos parlamentares evitaram se posicionar contra a proposta para não enfrentar desgaste junto ao eleitorado. “É oportunismo. Ninguém quer se expor em um tema tão polêmico”, declarou.
Antes da votação, seis dos oito deputados federais de Mato Grosso haviam apoiado uma emenda alternativa que propunha uma transição gradual de dez anos para a mudança da jornada, além de medidas como redução de impostos e incentivos aos empregadores. Apesar disso, na votação que tratou do fim da escala 6×1, a maioria acompanhou o entendimento predominante da Câmara.
Entre os parlamentares que votaram a favor da PEC estão Coronel Assis, Coronel Fernanda, Emanuelzinho, Fábio Garcia, José Medeiros, Juarez Costa, Nelson Barbudo e Rodrigo da Zaeli. Alguns deles haviam manifestado ressalvas ao texto original da proposta.
Pivetta também avaliou que o debate em torno da PEC possui forte componente político e atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva interesse na condução da pauta. Mesmo assim, ressaltou que a tramitação da matéria ainda depende das decisões do presidente da Câmara, Hugo Motta, e das próximas deliberações do Congresso.
Ao comentar a proposta, o governador afirmou que considera a medida mais voltada ao cenário eleitoral do que à proteção dos trabalhadores. Segundo ele, o momento em que o tema está sendo discutido e a velocidade de sua tramitação reforçam essa percepção. Pivetta defendeu ainda que as relações de trabalho sejam definidas por meio da negociação entre empregadores e empregados, sem imposições do Estado, destacando sua posição favorável à liberdade econômica.

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