Laudo da PF confirma vexame em suposta maior apreensão de cocaína do país

Foram 260 cargas de madeiras apreendidas, em MS e MT — Foto: Laudo da PF/Reprodução
O laudo pericial definitivo da Polícia Federal (PF) confirmou a ausência de cocaína nas 260 toneladas de madeira apreendidas durante a Operação Timber Shield, realizada em junho nas cidades de Corumbá (MS) e Cáceres (MT), na fronteira entre Brasil e Bolívia. O documento, divulgado nesta semana, encerra a principal dúvida da investigação, que chegou a ser anunciada como a possível maior apreensão de cocaína impregnada em madeira da história do país.
A carga foi retida após testes preliminares realizados pela Receita Federal com reagentes químicos indicarem a possível presença de cocaína diluída na madeira. No entanto, as análises periciais conduzidas pela Polícia Federal não confirmaram a suspeita.
Para a perícia, foram selecionadas aleatoriamente algumas peças da carga. Com o auxílio de motosserras e furadeiras, os peritos coletaram nove amostras — cinco de serragem e quatro de lascas de madeira. Segundo o laudo, todos os testes laboratoriais e exames instrumentais apresentaram resultado negativo para a presença de cocaína.
O documento informa que os fragmentos de madeira passaram por inspeção detalhada para identificar possíveis sinais de impregnação da droga, tanto na superfície quanto no interior das fibras. Ainda conforme a perícia, nenhum indício foi encontrado. Materiais adicionais também foram recolhidos para eventual contraprova.
Polícia boliviana já havia contestado suspeita
Ainda na segunda quinzena de junho, a Polícia Boliviana contestou a suspeita de que a carga transportava cocaína. Na ocasião, o comandante Mirko Sokol afirmou que novos testes realizados pelas autoridades bolivianas também não identificaram a presença da droga, indicando que não havia elementos para manter a investigação naquele momento.
Caminhões seguem retidos e prejuízo aumenta
Apesar da conclusão da perícia, quatro caminhões permanecem parados na alfândega de Corumbá. A retenção tem provocado atrasos nas entregas, aumento dos custos logísticos e prejuízos aos importadores.
O empresário Alessandro Castro afirma que a paralisação compromete toda a operação da empresa.
“Faz quase 30 dias que estamos sem trabalhar. Tenho mais de 40 funcionários na Bolívia que dependem dessas entregas. Meus clientes já estão querendo desistir dos contratos. Estou tendo um prejuízo enorme e nenhum órgão, nem a Receita Federal nem a Polícia Federal, assume a responsabilidade. Todos os dias dizem que vão fornecer um documento, mas isso nunca acontece”, relata.
O advogado Leandro Lobo, que representa outro importador, afirma que os custos com a permanência dos caminhões chegam a R$ 44 mil por dia. Segundo ele, a defesa pretende buscar na Justiça a isenção dessas despesas, já que os empresários não deram causa à retenção da carga.
“A retenção ocorreu por decisão das autoridades. Por isso, entendemos que os custos das diárias não podem ser repassados aos importadores. Caso não haja uma solução administrativa, vamos ingressar com um mandado de segurança para discutir judicialmente essa responsabilidade”, afirmou.
Operação contou com apoio internacional
A Operação Timber Shield foi realizada pela Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal, o Exército Brasileiro e órgãos de inteligência do Brasil, dos Estados Unidos e da Bolívia.
Durante a ação, oito caminhões transportando aproximadamente 260 toneladas de madeira foram fiscalizados. Quatro veículos foram interceptados em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT).
Segundo as autoridades, informações compartilhadas entre os três países apontavam a possibilidade de a madeira estar contaminada com cocaína, o que motivou o reforço da fiscalização na fronteira. Os testes preliminares realizados durante a inspeção sustentaram inicialmente a suspeita, posteriormente descartada pelo laudo definitivo da Polícia Federal.
Destino da carga
As investigações apontaram que a madeira tinha como destino os estados de Mato Grosso do Sul e Paraná, passando inicialmente por Campo Grande antes da distribuição.
Enquanto os trâmites administrativos não são concluídos, os caminhões permanecem sob custódia das autoridades. Em Corumbá, os veículos estão armazenados no pátio da Agesa, terminal logístico localizado na fronteira entre Brasil e Bolívia.
A suspeita é que a droga, em estado líquido, tenha sido misturada à própria estrutura da madeira. — Foto: Receita Federal

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